Gosto muito de escrever. Gosto de perceber que algo nasce de minhas mãos; que minhas palavras adquirem movimento e sentido próprios, para além do que saíra da minha imaginação. É como um movimento circular: imagino, então escrevo; escrevo, então imagino. É o momento da criação. Sublime criação que permite que eu seja mais do que eu penso que sou. Como uma projeção de mim mesma, o texto sou eu expandida – gritando o sentimento que pulsa. Sentimento apatia, sentimento alegria, sentimento vazio. Quando os rumos parecem incertos, buscam-se maneiras de endireitar. Escrever é endireitar (ou confundir) os pensamentos e os sentimentos. É o protesto diante da vida. Se escrevo bem ou mal?! Ignoro. Só escrevo – quando o sono deixa, e o medo também. Se as palavras fossem degraus, eu subiria por elas até o alto desse céu negro, roubaria algumas estrelas e as penduraria no meu quarto. Dormiria olhando para elas. As teria comigo para sempre, me alimentando do seu brilho e de sua beleza. Poderia engoli-las, para então sumir do meu quarto, da minha casa, a ir habitar a terra das estrelas desaparecidas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário