terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Felicidade (...)

O que incomoda é um desejo de expressão. Muito se sente, se vive. Dessa música que toca sai uma alegria, que entra em mim e, em seguida, quer se expandir. Em palavras e cores e imagens. Imagens que se movem ao som de um belo som. Ou palavras que traduzam (eu tentem traduzir) a alegria (não) guardada – na iminência de sair de mim. Troca a música e vem o embalo de um bolero, que nina o coração. Agora é também sentimento que quer explodir. Quer sair em declarações de amor, em inconseqüências, em poesia. E a voz daquele que canta afaga o coração, dando saudade do que não foi vivido. De um tempo, de uma história. De um Brasil antigo, que só conheço das histórias contadas (por meu pai, por meu livro de história). E é tudo um samba. Alegria e tristeza (melancolia) dentro de uma só – de mim. Mas é tanta felicidade. Mas é mais a iminência dela. Para que ela se complete ela precisa gritar. Porque é preciso saber “cantar” todas as coisas que me assaltam – a alegria do samba, a tristeza do bolero. Cantar também a voz que afaga. [Será que tudo isso é poesia?]. Tudo isso foi pra falar de uma (iminente) felicidade. Ela está tão no limiar da minha angústia, que eu estou perto e longe dela. Parece que estou apenas a um passo dela.