Gosto muito de escrever. Gosto de perceber que algo nasce de minhas mãos; que minhas palavras adquirem movimento e sentido próprios, para além do que saíra da minha imaginação. É como um movimento circular: imagino, então escrevo; escrevo, então imagino. É o momento da criação. Sublime criação que permite que eu seja mais do que eu penso que sou. Como uma projeção de mim mesma, o texto sou eu expandida – gritando o sentimento que pulsa. Sentimento apatia, sentimento alegria, sentimento vazio. Quando os rumos parecem incertos, buscam-se maneiras de endireitar. Escrever é endireitar (ou confundir) os pensamentos e os sentimentos. É o protesto diante da vida. Se escrevo bem ou mal?! Ignoro. Só escrevo – quando o sono deixa, e o medo também. Se as palavras fossem degraus, eu subiria por elas até o alto desse céu negro, roubaria algumas estrelas e as penduraria no meu quarto. Dormiria olhando para elas. As teria comigo para sempre, me alimentando do seu brilho e de sua beleza. Poderia engoli-las, para então sumir do meu quarto, da minha casa, a ir habitar a terra das estrelas desaparecidas.
Pensamentos soltos de quem quer cantar a alegria, poetizar a tristeza e extravasar a angústia
domingo, 10 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Esperança
Hoje a esperança me acordou. Ela acendeu as luzes do meu quarto e puxou a minha coberta. Escancarou a minha janela, deixando a claridade branca do sol entrar. Ela me mostrou o azul infinito do céu e pediu que eu mergulhasse nesse azul. Me contou que o futuro é leve e bonito, como o vento que ergue as folhas secas que caem das árvores.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Projeto
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Imponderável
O vazio invadiu o meu quarto,
O meu corpo
Sobretudo invadiu o meu coração
Tão imponderável como a penumbra do meu quarto
Como os raios de sol que desafiam as frestas da minha janela
Sou eu que existo assim, lançada ao ar
A respiração não pesa,
Os passos não pesam
Existir é como uma dança leve
Ao som de dedilhados no violão
terça-feira, 7 de junho de 2011
Mulheres livres
"Minha força não é bruta. Não sou freira nem sou puta. Porque nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é bunda. Meu peito não é de silicone. Sou mais macho que muito homem". (Pagu - Maria Rita) Estou com essa música na cabeça desde que li as notícias sobre a Marcha das Mulheres Livres (como prefiro chamar), que ocorrerá no sábado em Brasília. Interessante a ideia. Pelo direito de ser o que se quer ser! Pelo direito, inclusive, de ser 'careta' ou 'conservadora', sem, com isso, ser taxada de retrógrada. Direito de proclamar uma liberdade sobre o próprio corpo que é diferente, porque repudia a ideia do aborto, por exemplo. O direito de ser livre sem ser egoísta. Direito de acreditar que tudo posso, mas nem tudo me convém, pois não sou uma ilha no mundo – minhas escolhas afetam a vida de outras pessoas, tanto daquelas que já vivem, como daquelas que poderão vir a existir de dentro de mim.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
(...)
Espelho
Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?