sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Semáforo

Ao semáforo, chuva de algodão
Os motores calaram seu estresse
Surpreendidos pelo rastro de sol
Que, desafiando a pesada nuvem negra
Pintava de ouro as folhas secas que caíam das árvores

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sinfonia

Cada nota desse piano
São as gotas de chuva que se apressam ao chão
...

Vento, trovão, tempestade: eis a sinfonia

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Caderno

Procurando cadernos velhos, encontrei o do início da graduação em direito. Vi o quanto eu me esforçava para conseguir anotar tudo, mas esse esforço durava só nos primeiros dias de aula. Lembrei disso, de que talvez me faltasse algum compromisso com as aulas, ou mesmo com a graduação. E não agia assim por falta de tempo, pois no primeiro ano de curso eu basicamente só tinha a graduação como compromisso. Hoje eu lembro de mim como uma pessoa meio perdida naquela época. Talvez eu não reconhecesse meus colegas, o meu curso. Eu meio que não me dava conta do que precisava ser feito e do que significava tudo aquilo. Vendo minhas anotações de introdução à filosofia, enxergo um conhecimento para mim interessante, do qual esqueci ou não absorvi, porque faltei a algumas aulas e "voei" em outras.
Não sei se isso é ser "avoada". Talvez eu sempre esteja excessivamente distraída com o instante. Meus pequenos instantes de dúvida, de ansiedade, de perceber o mundo, de "dar-se conta". Quando penso em mim do início da UnB, penso em uma moça confusa e impressionada, rodando por aqueles corredores amplos de concreto, ou olhando pela janela de quitinete - com os livros e textos fechados sobre a mesa.
O tempo passava e eu ficava sonhando um sonho que ainda não consegui definir. Vivendo uma dúvida que só cresce. Talvez a dúvida tenha se tornado um pouco de cansaço ou ceticismo.
Quantas de mim mesma ainda existem espalhadas por esse passado?

domingo, 3 de outubro de 2010

Saudade

É o que sinto no dia de céu cinza, de dificultar enxergar o horizonte
Na ausência do vento, que eventualmente passa e toca frio a pele
No horizonte verde quase-marrom de grama seca, deito eu em minhas lembranças,
indefinidas, quase-sufocantes
Nos espaços de concreto, paredes infinitas, e a poeira
Deito estendida no cinza gelado
Um pouco de terra nos dedos
A dúvida, sentada ao café
E o horizonte é cinza, e nele dança a música que vem de longe, suave, e se aproxima
Doçura de um piano ou de um violino
O vento já é gelado, e toca meu rosto de saudade