domingo, 12 de abril de 2009

Pedro Pedreiro

Voltei a escutar Chico Buarque. Aquele sambinha leve e aquela voz suave.

Há uma música cuja letra me fascina. "Pedro Pedreiro". Sempre que escuto imagino a face de um brasileiro - a mesma face de tantos outros - que espera o trem, espera a morte..

Para ilustrar a letra, de magnífica sensibilidade, nada melhor que Sebastião Salgado, o brasileiro que, talvez, tenha melhor retraduzido essas e outras "esperas".




Pedro Pedreiro (Chico Buarque)

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando

Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro, esperando um filho prá esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém

Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem

Esplanada do Ministérios


Na sexta-feira eu e bons amigos fomos à Esplanada dos Ministérios de madrugada. Acomodamos-nos na Praça dos Três Poderes. Tacamos violão, cantamos, dançamos forró e brincamos de "imagem e ação". Tudo isso em alto e bom som.


É tão contraditório e irônico a leveza dos meus vinte e poucos anos naquele "triângulo" das tensões nacionais.


Páscoa

Durante a sexta-feira eu não consegui estudar tanto quanto queria. De noite saí com uns amigos. Não fosse a noite, seria um dia como outro qualquer. Tranquilo. Com a dose certa de estudo, ócio, saudade e contentamento.

Não, não estou transformando o blog em um diário.
Comecei falando sobre o dia apenas para acentuar o quanto a sexta-feira foi um dia como outro qualquer. Nesse ponto que queria chegar.

Foi sexta-feira santa. Uma das datas mais importantes do calendário cristão. Não é como o natal, ou como finados, etc.
Conforme lembrou uma amiga com quem conversei no dia, a crucificação de Jesus e a sua ressurreição foram os grandes eventos do cristianismo. A vinda de Cristo é o divisor de águas da tradição judaica. Aqueles que acreditam que Cristo é o messias e o filho unigênito de Deus pode se dizer cristão. Os judeus não creem que Cristo foi o messias, muito menos que a sua morte significou a remissão dos nossos pecados.
Em suma, a vinda de cristo, a sua morte e ressurreição formam o elemento fundante da religião cristã. Dali em diante foram séculos e séculos de divisões, reformas, mas sem se desligar desse elemento fundante.
A paixão - o tormento - de Cristo na cruz significa, para os cristãos, a maior manifestação de amor já vista. O filho de Deus se fez homem, de carne e osso, e mesmo assim manteve-se santo. Tão santo e com um amor tão imenso que foi capaz de morrer para nos absolver dos nossos pecados.
Parece uma idéia absurdo não é mesmo? Pergunta-se: Qual o "nexo causal" entre a morte dele e a remissão dos nossos pecados?
Para os cristãos a morte de Jesus significou uma mudança significativa no, digamos, "mundo espiritual". É difícil compreender isso. É preciso não pensar em termos estritamente racionais. Para tornar mais compreensível cito como exemplo o batismo. O que, para muitos, não passa do ato de "molhar a cabeça", para os cristãos significa uma "revolução" na condição existencial da pessoa. Falo de existência espiritual, de relação com a divindade.
O sangue derramado por Cristo foi o sangue do sacrifício de um santo, filho de Deus. Por meio desse sacrifício foi possível estabelecer uma nova aliança com Deus. A partir aquele momento, todos nós podemos ter livre acesso a ele. Ele é o Pai com o qual podemos estabelecer um relacionamento eterno.

Bom, eu conheço pouco sobre esses assuntos. O que narrei aqui foi o pouco que aprendi por meio de algumas leituras da Bíblia e em conversas com amigos. Se eu estiver equivocada em algo, por favor, me corrijam.
Só quis tentar demonstrar a "dimensão da coisa".

Acho tudo muito admirável e bonito. Porém admito que pensei nisso uma única vez durante a sexta-feira, quando liguei para uma amiga e ela disse que iria à missa.

Nasci em uma das cidades mais católicas do Brasil. Na minha ascendência existem cristãos fervorosos. Na casa da minha avó havia uma grande bíblia aberta na sala e santos pendurados na parede. Mas o mais estranho é que tive uma formação quase agnóstica.
Entendam. Fiz catecismo. Após isso meus pais se envolveram com a doutrina de Allan Kardec - digna de admiração em muitos aspectos, inclusive. Durante minha infância fui carinhosamente incentiva a rezar o terço. Em outros momentos fazíamos o evangelho no lar, etc.
Bom, vou explicar o que quis dizer com formação agnóstica. Devo reconhecer o esforço dos meus pais. Percebam que falei em formação agnóstica, não em educação agnóstica. Fui criada por pais cristãos que têm consciência da importância de formar espiritualmente os filhos. Disso não tenho do que reclamar. O problema - se é que isso é um problema - está no que se passava na minha cabeça. Nunca houve uma reflexão mais profunda, uma busca. Meus momentos de maior fé foram reações irrefletidas a apelos emocionais. Nunca soube, na realidade, no que cria ou no que creio.
Cria num Deus que "não tinha rosto". Um Deus desvinculado de uma tradição ou de uma doutrina.
Quando fui tentar descobrir quem, de fato, era o Deus Católico, o Espírita - Kardecista e o Protestante, percebi que os elementos que estão na "base" dessas doutrinas, ou tradições, não são consistentes para mim.
De tão belo é inacreditável a doutrina a respeito de Cristo. Também não parece verossímil. Não sem razão a sexta-feira santa e o domingo passaram despercebidos.
Mas minha fé em Deus é forte. Muito consistente. Pena que ele não tem uma "face".
Relativamente a essas questões admiro muito meu pai. Ele tem uma fé. Genuína. Fé verdadeira é aquela que existe até quando não há a emoção. Fé verdadeira existe quando se escolhe seguir algo e se assume as consequências da escolha. A fé não existe sem o amor incondicional à divindade, o qual desloca todo o eixo existancial da pessoa.

Se toda a história a respeito de Cristo for verdade, ele que me perdoe por tudo que disse aqui. Minha intenção é das melhores. Creia nisso.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Alegria


"..." - O Teatro Mágico

"Reciclar a palavra, o telhado e o porão
Reinventar tantas outras notas musicais
Escreever um pretexto, um prefácio e um refrão
Ser essência muito mais
Ser essência muito mais
A porta aberta, o porto, a casa, o caos, o cais
Se lembrar de celebrar muito mais
Muito mais... A ciência, a essência..
A poesia prevalece..."


A primeira vez que fui a um Show do Teatro Mágico cheguei quando tocava a última música. Não conhecia a banda. Quando perguntei a um amigo o que ele tinha achado, ele disse que o show havia sido como um "abraço".
Você não entende até assistir a um show do Teatro.
Não acho que a melodia seja das mais sotisficadas, mas é das mais surpreendentes. Eles sabem utilizar o bom e velho rock, mesclando-o com alguns "batuques" nacionais. A percussão é uma das coisas mais marcantes do show. Eles também surpreendem com um forrozinho de leve, um sambinha. Também é muito agradável a flauta ou o violino que surgem, de repente, no meio da canção.
E as letras. O melhor. A poesia infantil - quase tola, para os tolos. Para os não-tolos é expressão das dúvidas, angústias e alegrias de todos... que nem todos expressam para não parecerem tolos. E é esse o grande "abraço" do Teatro Mágico. Ouça. Assista ao show.

http://www.oteatromagico.mus.br/novo/


"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas.. é querer saber demais. Querer saber demais"


.
"Conhecer não é demonstrar nem explicar, é aceder à visão"

Não sei o autor. Estava na capa da minha prova para o cargo de técnico administrativo do concurso da ANTAQ (Agência Nacional de Transfortes Aquaviários, para quem não sabe - eu não sabia..).
Contradição?! Talvez o estudo voltado a concursos não seja a "melhor" maneira de "aceder à visão"... Talvez porque não seja direcionado à melhor das "visões". Mas é um estudo necessário, para quem escolhe esse caminho.
Na verdade eu queria que ele fosse só um "atalho".
A grande questão filosófica do brasiliense - e por vezes a minha também: ser ou não ser concurseiro?
Não, não ser concurseiro. Requer dedicação. Mas é tão difícil adotar isso como "eixo gravitacional" da vida. É preciso conciliar com alguma forma de conhecimento pela qual se tenha amor - ou pelo menos simpatia. Quanto a isso não tenho do que reclamar. Isso me alegra bastante! =)
Não faltam leituras que me alegrem, que me dêem prazer e que me instiguem. Estou muito satisfeita com os grupos de estudos aos quais estou envolvida na faculdade. É interessantíssimo estudar autores da filosofia e da teoria geral do direito. A discussões são muito ricas. É preciso compreender antes de questionar. E, depois de tudo, tentar construir algo. Não sei o quê ainda.
O conhecimento tem de existir em função do desenvolvimento - não apenas pessoal. Desenvolvimento do lugar onde vivemos - de nossa cidade, de nosso estado, de nosso país. A velha idéia de "tentar o mundo". Pois é, eu ainda penso nela. Deus me ajude a encontrar uma forma de fazer isso.

Também estou satisfeita com o conteúdo das disciplinas do semestre.
Será que estou me tornando uma direitóloga? =P
Estou contente, muito contente.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Brasília e a chuva

Gosto de dias assim. Depois da chuva, o céu "abre", mas sem muito espaço para o sol. Surge uma claridade que não agride e o ar abafado dos dias normais dá lugar ao vento frio (quase gelado). Bom para dormir. Bom para não fazer nada. Ruim para estudar. Ruim para os pés, umedecidos em minhas fiéis sandálias rasteiras.

Abertura

Olá pessoal!

Resolvi criar esse blog, sem um propósito específico. Daí o título do blog: Catálogo de descobertas cotidianas. Com esse nome "coloco no mesmo saco" impressões e "descobertas" a respeito do dia, de um filme, de um livro, de uma conversa, de uma música, etc.

A foto do título é de autoria de Helano Stuckert. Amigo querido e de notável sensibilidade relativamente à fotografia. A imagem desse blog é uma das "scenes insolites" captadas pelo fotógrafo.
Para um pouco mais de insolitude e outras cenas da Europa e de outros lugares do mundo: http://www.flickr.com/photos/helanostuckert/

Mas chega de publicidade.

Espero que gostem das minhas "miudezas" cotidianas.

Abraços a todos!