Durante a sexta-feira eu não consegui estudar tanto quanto queria. De noite saí com uns amigos. Não fosse a noite, seria um dia como outro qualquer. Tranquilo. Com a dose certa de estudo, ócio, saudade e contentamento.
Não, não estou transformando o blog em um diário.
Comecei falando sobre o dia apenas para acentuar o quanto a sexta-feira foi um dia como outro qualquer. Nesse ponto que queria chegar.
Foi sexta-feira santa. Uma das datas mais importantes do calendário cristão. Não é como o natal, ou como finados, etc.
Conforme lembrou uma amiga com quem conversei no dia, a crucificação de Jesus e a sua ressurreição foram os grandes eventos do cristianismo. A vinda de Cristo é o divisor de águas da tradição judaica. Aqueles que acreditam que Cristo é o messias e o filho unigênito de Deus pode se dizer cristão. Os judeus não creem que Cristo foi o messias, muito menos que a sua morte significou a remissão dos nossos pecados.
Em suma, a vinda de cristo, a sua morte e ressurreição formam o elemento fundante da religião cristã. Dali em diante foram séculos e séculos de divisões, reformas, mas sem se desligar desse elemento fundante.
A paixão - o tormento - de Cristo na cruz significa, para os cristãos, a maior manifestação de amor já vista. O filho de Deus se fez homem, de carne e osso, e mesmo assim manteve-se santo. Tão santo e com um amor tão imenso que foi capaz de morrer para nos absolver dos nossos pecados.
Parece uma idéia absurdo não é mesmo? Pergunta-se: Qual o "nexo causal" entre a morte dele e a remissão dos nossos pecados?
Para os cristãos a morte de Jesus significou uma mudança significativa no, digamos, "mundo espiritual". É difícil compreender isso. É preciso não pensar em termos estritamente racionais. Para tornar mais compreensível cito como exemplo o batismo. O que, para muitos, não passa do ato de "molhar a cabeça", para os cristãos significa uma "revolução" na condição existencial da pessoa. Falo de existência espiritual, de relação com a divindade.
O sangue derramado por Cristo foi o sangue do sacrifício de um santo, filho de Deus. Por meio desse sacrifício foi possível estabelecer uma nova aliança com Deus. A partir aquele momento, todos nós podemos ter livre acesso a ele. Ele é o Pai com o qual podemos estabelecer um relacionamento eterno.
Bom, eu conheço pouco sobre esses assuntos. O que narrei aqui foi o pouco que aprendi por meio de algumas leituras da Bíblia e em conversas com amigos. Se eu estiver equivocada em algo, por favor, me corrijam.
Só quis tentar demonstrar a "dimensão da coisa".
Acho tudo muito admirável e bonito. Porém admito que pensei nisso uma única vez durante a sexta-feira, quando liguei para uma amiga e ela disse que iria à missa.
Nasci em uma das cidades mais católicas do Brasil. Na minha ascendência existem cristãos fervorosos. Na casa da minha avó havia uma grande bíblia aberta na sala e santos pendurados na parede. Mas o mais estranho é que tive uma formação quase agnóstica.
Entendam. Fiz catecismo. Após isso meus pais se envolveram com a doutrina de Allan Kardec - digna de admiração em muitos aspectos, inclusive. Durante minha infância fui carinhosamente incentiva a rezar o terço. Em outros momentos fazíamos o evangelho no lar, etc.
Bom, vou explicar o que quis dizer com formação agnóstica. Devo reconhecer o esforço dos meus pais. Percebam que falei em formação agnóstica, não em educação agnóstica. Fui criada por pais cristãos que têm consciência da importância de formar espiritualmente os filhos. Disso não tenho do que reclamar. O problema - se é que isso é um problema - está no que se passava na minha cabeça. Nunca houve uma reflexão mais profunda, uma busca. Meus momentos de maior fé foram reações irrefletidas a apelos emocionais. Nunca soube, na realidade, no que cria ou no que creio.
Cria num Deus que "não tinha rosto". Um Deus desvinculado de uma tradição ou de uma doutrina.
Quando fui tentar descobrir quem, de fato, era o Deus Católico, o Espírita - Kardecista e o Protestante, percebi que os elementos que estão na "base" dessas doutrinas, ou tradições, não são consistentes para mim.
De tão belo é inacreditável a doutrina a respeito de Cristo. Também não parece verossímil. Não sem razão a sexta-feira santa e o domingo passaram despercebidos.
Mas minha fé em Deus é forte. Muito consistente. Pena que ele não tem uma "face".
Relativamente a essas questões admiro muito meu pai. Ele tem uma fé. Genuína. Fé verdadeira é aquela que existe até quando não há a emoção. Fé verdadeira existe quando se escolhe seguir algo e se assume as consequências da escolha. A fé não existe sem o amor incondicional à divindade, o qual desloca todo o eixo existancial da pessoa.
Se toda a história a respeito de Cristo for verdade, ele que me perdoe por tudo que disse aqui. Minha intenção é das melhores. Creia nisso.
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